quarta-feira, 3 de junho de 2020

Eu, Mulher

Dedico meu primeiro post a mim: MULHER. Se você também é mulher, sinta-se parte de minha dedicatória. Se não, apenas aceite a tentativa de compreensão do que significa estar nesse papel. Já conquistamos tanto e ainda temos tanto por conquistar...

Coisas injustas me fazem arder por dentro. E talvez meu blog siga nessa direção. Digo talvez porque esse blog
não se guia pela razão, e sim pela emoção, pelo que vem de dentro de mim. Mas abandonando os devaneios, retorno ao ponto inicial, motivo de minha dedicatória. Conto-lhes aqui uma situação que acredito que já possa ter ocorrido com todas as mulheres, ou grande parte delas para que não me acusem de generalização. 

Eis que em um dia normal, como todos aqueles em que fazemos nossas atividades comuns, resolvo ir ao mercado que fica a poucas quadras da minha casa, é super perto. Meu namorado não estava na cidade, pois havia viajado para fazer um curso. Era um sábado, no meio da tarde, dia claro. Me arrumei, havia colocado uma roupa simples, um short e uma blusa justinha, chinelos. Quando estava saindo repensei. Não seria melhor trocar a blusa por uma mais larga ou o short por um uma bermuda ou algo um pouco mais comprido? Assim evitaria homens mexendo comigo na rua. Troquei, me senti mais segura.

Mas parece que minha roupa não impediu os olhares sem qualquer disfarce de homens pela rua. Não sou nenhuma miss, nem estava arrumada a tal ponto. Pois bem, na volta do mercado, como se não bastassem os homens me olhando como se nunca tivessem visto uma mulher, um rapaz estava passando na mesma calçada que eu, porém em direção contrária, e cismou comigo. A princípio me confundiu com alguém, veio andando atrás de mim, me gritando, visivelmente embriagado, me alcançou e ficou mexendo comigo.Quando eu finalmente disse que não era a pessoa que ele procurava, sem parar de andar em nenhum instante, ele começou a me elogiar, a querer saber quem eu era, onde morava, se namorava... Fui cortando-o até ele enfim desistir e retomar seu caminho contrário. Aquela rua reta que eu percorria em poucos minutos, pareceu uma das maiores ruas que eu já havia passado.

Coisas nesse estilo já aconteceram em outros lugares e situações, mas desta vez me despertou para um comportamento que está embutido na sociedade. Será que homens pensam antes de sair de casa na roupa que estão usando? Se está transparente demais, ou curta demais, se aparece uma parte ou outra do corpo? Para nós, mulheres, isso já é um pensamento natural (na verdade ensinado) desde criança. Às vezes nem nos damos conta disso porque já faz parte da nossa vida. Nós vivemos nos protegendo e tentando evitar situações desagradáveis ou piores em relação ao nosso corpo, à nossa aparencia, ao nosso trabalho. Nós nos limitamos em uma tentativa muitas vezes frustrada de tentar impedir um mal comportamento do outro em relação a nós. Veja bem, DO OUTRO. 

Deveria ser normal controlar o que eu visto, o que falo, o que faço, meu jeito de andar, minhas opiniões para que isso não seja uma causa para uma possível atitude no mínimo desconfortável de outra pessoa? Uma atitude invasiva, diga-se de passagem.

Temos sempre que estar pensando sobre com quem vamos a algum lugar, no horário menos perigoso para sair, onde dá para mulher ir e se divertir e onde não dá, em nossa atitude com chefes e colegas homens do trabalho, entre diversas outras situações. Sei que toda mulher tem algum ou alguns casos para contar. Gente, isso não é normal, e estou cansada.

Eu só queria que todas percebêssemos isso e tentássemos não perpetuar tanta diferença. 

Para ter uma ideia

Fiquei pensando por um longo tempo no que dizer... O que minha voz gostaria de expressar? Talvez nem eu saiba ao certo o que faço aqui derramando um tanto de palavras nesse espaço vazio e branco, aparentemente grande, porém pequeno em relação à imensidão de ideias e sentimentos que me permeiam. Como transformar em palavras tudo o que sinto? Será isso possível? 

Lhes escrevo nos últimos minutos do dia três de junho de 2020. Eu que sempre fui discreta, calada, sempre me reservei aos meus pensamentos e evitei ao  máximo expor o que pensava, hoje dou este passo rumo à exteriorização, à exposição de tudo o que eu sempre temi: minha voz, meus pensamentos, minha alma. 

Meu mundo está ao contrário ou estou sonhando? Pandemia, enfrentamentos civis, racismo enraizado em pleno século XXI, o óbvio tendo de ser explicado, pessoas com ideais opressores se tornando ídolos, machismo presente em homens e em mulheres... Preciso aumentar essa lista? 

Como ficar sentada apenas assistindo? Por isso utilizo do meu recurso mais valioso que se torna uma extensão de mim: minhas palavras. Peço licença com gentileza para ocupar também um pouco dos seus pensamentos e do seu tempo. Esse é apenas o início.

Eu, Mulher

Dedico meu primeiro post a mim: MULHER. Se você também é mulher, sinta-se parte de minha dedicatória. Se não, apenas aceite a tentativa de c...